Erros frequentes na exposição clínica durante a junta médica
Saiba como apresentar corretamente a sua história clínica e evitar falhas que possam influenciar a decisão pericial.
A importância da preparação e da objetividade
A junta médica constitui um momento decisivo no processo de avaliação do dano corporal, seja para efeitos de atribuição de incapacidade, reforma por doença ou justa reparação em casos de acidente. Neste contexto, a exposição clínica do examinado perante os peritos é crucial.
Contudo, a pressão e a falta de preparação podem levar à ocorrência de erros que comprometem a objetividade da avaliação e, consequentemente, o resultado final. A forma como o examinado apresenta o seu caso e a documentação de suporte pode influenciar a perceção dos peritos sobre a sua condição e a extensão do dano.
O principal objetivo da junta médica é analisar a documentação clínica e realizar um exame pericial para quantificar a incapacidade funcional. Para tal, a informação fornecida pelo examinado deve ser precisa, coerente e suportada por evidências.
Erros comuns na exposição clínica
A experiência em perícias médicas revela um conjunto de falhas recorrentes na forma como os examinados se apresentam e comunicam a sua situação clínica. Estes erros podem fragilizar a sua posição e dificultar a correta valoração do dano:
- Falta de documentação completa
A ausência de relatórios médicos atualizados, exames complementares relevantes ou a história clínica evolutiva completa impede os peritos de terem uma visão integral do caso. - Incoerência na narrativa
Apresentar uma descrição dos sintomas ou do histórico do acidente que não é consistente com os registos médicos ou com a própria evolução clínica. A incoerência pode levantar dúvidas sobre a credibilidade da queixa. - Exagero ou minimização dos sintomas
O exagero das queixas ou, inversamente, a sua minimização são ambas prejudiciais. O perito procura a objetividade e a coerência entre a queixa subjetiva e os achados do exame físico. - Foco excessivo no diagnóstico e não na limitação
O examinado foca-se apenas no nome da doença ou lesão, sem conseguir descrever de forma clara e objetiva as limitações funcionais que esta impõe no seu dia-a-dia e na sua capacidade laboral. - Desconhecimento do processo
Não compreender o objetivo da junta médica e os critérios de avaliação pode levar o examinado a focar-se em aspetos irrelevantes ou a não responder de forma adequada às questões dos peritos.
Estratégias para uma exposição clínica eficaz
Para mitigar estes riscos, é fundamental que o examinado adote uma postura de rigor e objetividade. A preparação prévia é a chave para garantir que todos os elementos relevantes sejam considerados.
Boas práticas a adotar
A exposição clínica deve ser encarada como um momento de apresentação de factos e evidências. Recomenda-se a observância das seguintes boas práticas:
- Organização documental: Levar toda a documentação médica organizada cronologicamente, destacando os relatórios e exames mais recentes e relevantes.
- Clareza e concisão: Responder às questões dos peritos de forma direta, clara e concisa, focando-se nas limitações funcionais e na forma como estas afetam as atividades diárias.
- Coerência: Assegurar que a descrição dos sintomas e do histórico é totalmente coerente com os registos médicos apresentados.
- Objetividade: Evitar o uso de linguagem emocional ou dramática. O foco deve ser a descrição objetiva do dano e das suas consequências.
- Foco na Funcionalidade: Quando questionado sobre a sua condição, descrever o que não consegue fazer ou o que faz com dificuldade, em vez de apenas repetir o diagnóstico.
A importância do acompanhamento especializado
A complexidade da avaliação pericial e a natureza técnica da junta médica sublinham a necessidade de um acompanhamento especializado. A assistência de um perito médico-legal ou de um advogado com experiência na área pode ser determinante para:
- Revisão documental: Assegurar que a documentação apresentada está completa e é relevante para o caso.
- Preparação da exposição: Orientar o examinado sobre a melhor forma de comunicar as suas limitações e responder às questões dos peritos.
- Formulação de quesitos: Auxiliar na formulação de questões técnicas que direcionem a avaliação para os pontos cruciais do dano.
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A preparação rigorosa e o foco na objetividade e na funcionalidade são essenciais para que a decisão pericial reflita a justa medida da incapacidade.
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28/03/2026, Nexus Peritagem